Quando se atribui a uma tarefa mais tempo do que ela precisa, como acontece quando se dimensiona sempre com folga para o caso de algo correr mal, surgem vários comportamentos que anulam essa folga. Três dos mais conhecidos são o síndrome do estudante, a multitarefa mal usada e a tendência de o trabalho ocupar todo o tempo disponível.
A ideia central
A folga escondida em cada tarefa raramente chega ao fim do projeto. É consumida no início (síndrome do estudante) e dispersa em trabalho paralelo (multitarefa).
Síndrome do estudante
Os estudantes tendem a deixar o estudo de uma disciplina, ou a entrega de um trabalho, para o fim do prazo. Em projetos, isto faz com que a folga existente nas tarefas seja consumida logo no arranque dos projetos ou das tarefas, em vez de ficar disponível para o fim, quando é realmente necessária.
Ao reduzir o tempo atribuído, há menos probabilidade de quem faz o trabalho achar que pode atrasar o seu início.
Mau uso da multitarefa
Ao ter mais tempo do que o absolutamente necessário para a tarefa, é normal começar a pegar noutras tarefas e a trabalhar em vários projetos em simultâneo.
- Largar uma atividade principal durante algum tempo para pegar noutra só dá a aparência de progresso em mais do que um projeto.
- As pessoas gastam tempo a mudar entre tarefas e, para voltar a tarefas complexas, precisam de tempo para recuperar o contexto do que estavam a fazer.
- Quando a tarefa em que a pessoa trabalha é crítica para o projeto, pegar noutra faz com que a tarefa crítica e o projeto se atrasem.
O trabalho ocupa o tempo disponível
A lei de Parkinson descreve uma tendência conhecida: o trabalho expande-se até preencher o tempo que lhe foi atribuído. Quanto maior a margem de cada tarefa, mais ela é usada, mesmo quando não era necessária.
O que fazer
- Estimar as tarefas sem margem escondida e agrupar a proteção em buffers de projeto, geridos de forma central. Ver Critical Chain.
- Limitar o trabalho em simultâneo: terminar antes de começar outra tarefa, sobretudo nas tarefas críticas.
- Dar prioridade clara às tarefas do caminho crítico. Ver Métodos de Planeamento.
- Acompanhar o consumo dos buffers em vez de datas intermédias. Ver Gestão de Folgas.
Referências
- Goldratt, E. M., Critical Chain (North River Press, 1997).
- Parkinson, C. N., Parkinson's Law, The Economist (1955).
Atualizado em: 03/10/2026
