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Orçamento vs Realizado

Exemplo desta série: um evento de 12 semanas com orçamento de 30 000 €, analisado no fim da semana 6. Ver a visão geral.

A ideia central

Comparar orçamento e realizado só no fim é fazer uma autópsia, não controlo. O controlo de custos só tem valor se a comparação acontecer enquanto ainda é possível decidir: cortar, renegociar, replanear ou pedir mais verba.

O problema do tempo

Um orçamento é uma hipótese sobre o futuro; o realizado é a prova de como o futuro está a correr. A distância entre os dois só é útil se for conhecida cedo. Quando as faturas são classificadas e analisadas semanas depois da despesa, o gestor está a controlar o passado e não a execução.

Há dois atrasos distintos a medir:

  • Atraso de registo — tempo entre o custo ocorrer (ou ser comprometido) e ficar registado no sistema de controlo.
  • Atraso de decisão — tempo entre o desvio ficar visível e alguém decidir o que fazer.

Orçar por categorias, não só pelo total

Acompanhar apenas o total esconde problemas: uma categoria pode estar a derrapar enquanto outra, folgada, compensa o número final. O orçamento deve ser decomposto em categorias estáveis, alinhadas com a estrutura de decomposição do trabalho (EDT/WBS) e com a contabilidade.

Exemplo: o evento no fim da semana 6

Valores ilustrativos, a meio do calendário do evento de 12 semanas e 30 000 €:

CategoriaOrçamentoRealizadoConsumo
Pessoal7 500 €6 400 €85%
Equipamento9 000 €1 800 €20%
Alimentação6 000 €2 200 €37%
Transportes3 000 €2 650 €88%
Outros4 500 €950 €21%
Total30 000 €14 000 €47%

O total (47%) está abaixo dos 50% previstos para esta altura (ver baseline), o que parece saudável. Mas Pessoal e Transportes já consumiram quase 90% do respetivo orçamento a meio do calendário: é aí que o gestor deve investigar de imediato, não no fecho do projeto.

Consumo não é o mesmo que progresso

Um consumo de 85% só é um problema se o trabalho correspondente não estiver perto de 85% concluído. A leitura correta cruza sempre duas perguntas:

  1. Quanto do orçamento desta categoria já foi consumido?
  2. Quanto do trabalho a que esta categoria se refere já foi feito?

Se 60% do orçamento foi gasto e o progresso real é de 30%, o projeto está a caminho de custar o dobro. Este raciocínio é formalizado em Earned Value Management.

Rotina mínima de controlo

  1. Registar cada despesa com projeto, categoria e data do facto (não apenas a data de pagamento).
  2. Incluir compromissos já assumidos (encomendas, contratos), não só o que foi pago.
  3. Comparar com a baseline por categoria.
  4. Investigar as categorias acima do limiar definido (ver deteção precoce de desvios).
  5. Registar a decisão tomada e atualizar o forecast.

Como os custos reais chegam ao controlo

Esta rotina só funciona se o realizado estiver atualizado. Em muitos projetos o estrangulamento não é a análise, é a recolha: faturas em papel, anexos de email, recibos térmicos, tudo a ser classificado manualmente e com semanas de atraso.

Aplicação prática: custos reais sem digitação manual

Para comparar orçamento e realizado, os custos reais têm de chegar ao sistema de controlo suficientemente cedo. Se as faturas só forem classificadas semanas depois, o gestor controla o passado. O 1000faturas automatiza a captura e a classificação das faturas por projeto e por categoria, para que o realizado chegue ao controlo sem ser digitado à mão.

Para continuar

Próximo passo da série: Deteção Precoce de Desvios — o que fazer quando o realizado se afasta da baseline.